09/09/2009

CUIDADO COM O QUE DESEJAS...

Se ainda me restava uma sombra sequer de dúvida quanto ao poder da telepatia, hoje ela se dissipou de vez! Completamente!

A história começa assim que me dou conta que o galão de 20 litros de água mineral que abastece meu filtro estava no finalzinho!

Zut! Com esse calor, ficar sem água não dá!!

Passei a manhã pensando: tenho que ligar na padaria e pedir o entregador para trazer outro, tenho que ligar!Tenho que ligar! Pedir a água, pedir a água! Parecia um mantra!

Sai e voltei de casa inúmeras vezes, fiz milhares de coisas e nada de arrumar um minuto para encomendar a água. No final da manhã, ainda com a pendência em mente, pensei: agora eu ligo e peço a água!

Fui ver e estava sem créditos no celular. E não tenho telefone fixo em casa.

Tudo bem! Ainda tinha a última garrafa d’água na geladeira. Mais tarde poderia recarregar o celular e amanhã pedir o galão. Assunto encerrado por hoje!

Encerrado?

Ah, não! Não mesmo!

Um tempinho depois, o interfone ressona e do outro lado o porteiro anuncia:

- “Boa tarde, dona Mônica. O entregador da Megapão ( padaria onde EU compro água) está aqui. Pode subir?”

E eu, meio confusa, respondo:

- Ah, seu Manoel, acho que o senhor errou de apartamento, pois eu não pedi nada, não! Deve ser no vizinho!

Porteiro mais confuso ainda:

- Ué, tem certeza? Ele tá aqui falando que é do 104 mesmo! Peraí...

Pausa dramática...

Eu me pergunto durante frações de segundo se por acaso não tive uma crise severa de amnésia. Será que eu liguei? Não é possível!!

Olho no celular e constato que continuo sem um centavo de crédito e nenhumazinha chamada feita naquele dia...

Penso um pouco e solto:

- Ah, seu Manoel, não vamos fazer o moço perder a viagem, né? Tô mesmo precisando da água. Parece que adivinharam! Manda subir!

O rapaz não demorou a aparecer com o galão. E não é que no papelzinho da padaria ( que eles sempre trazem com o endereço e o valor do pedido ) estava escrito apto. 104, o meu???

O rapaz instalou o galão no filtro, e eu ainda intrigada, paguei...

E fique imaginando que em algum apartamento na vizinhança algum infeliz deveria estar arrancando os cabelos com a demora da entrega de água que pediu mais cedo.

Sim, só poderia ser essa a explicação. E racional que sou, não consigo me impedir de pensar rapidinho numa explicação lógica!

Claro que foi um engano...mas um engano “telepático”, com certeza...

Destes que a gente torce para acontecer mais vezes!!!

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03/09/2009

MEDO DE TER MEDO...

Medo protege.

Sim. Graças ao medo do choque elétrico nos afastamos da tomada da sala, de um fio desencapado! Com medo do afogamento mantemos distância razoável do mar agitado, revolto. E estes são medos lógicos, compreensíveis e essenciais para a sobrevivência!!!

Existe também o medo irracional. Como o meu de lagartixa, por exemplo...na falta de uma explicação sensata para tamanha repulsa que tenho da criatura me mantenho loooonge dela sempre que possível...a presença desse bichinho “inofensivo” ( só se for pra vcs, que fique bem claro!) me oprime, incomoda, desperta sentimentos ruins...

Freud explica a origem da fobia? Talvez sim...mas ai já é uma outra história...

O que sabemos é que o medo é parte intrínseca de nossa natureza...

Costuma seguir a mesma dinâmica em relação às situações que nos expõem ao mal, à dor, à tristeza, às perdas, sustos...toda a gama de sentimentos de baixa vibração...

No entanto, algumas vezes o medo pode ser confundido com o prazer.

Já levei “fama”de corajosa por adorar situações ditas “arriscadas”!

Gostar de esportes radicais é uma delas...

Estonteantes descidas de rapel, manobras que dão frio na barriga em "teco-tecos", adrenalina em alta nas aceleradas dos rallys, fôlego à mil nos saltos de obstáculos com cavalos, sobressaltos em grutas e cavernas de um breu profundo, dando de cara com aranhas e morcegos!

E o que falar da fissura por assistir filmes de terror, sozinha, no escuro? Ainda criança, ficava hipnotizada ouvindo histórias apavorantes de assombrações e almas penadas narradas pela minha avó Neusa...E ela era impiedosa, rica em detalhes, barulhos, sustos...Eu me lembro bem de não conseguir controlar joelhos e queixo que batiam e tremiam com uma violência inexplicável.

Mais sem explicação ainda era que eu AMAVA aquilo! Da para entender???

Conheço quem não passaria por nada disso nem por muuuito dinheiro!

Eu não abro mão!!!

Pensam que não sinto medo em cada um desses momentos??

Não se enganem! Ele está lá o tempo todo, fiel companheiro. Um medo de fazer faltar o ar, arrepiar os cabelos... mas controlado, domesticado em rédeas curtas...ali, sob meu comando!

E acho que então é daí que vem o prazer: vencer o medo!!

Só que nesta história o medo está longe de fazer papel de bom moço, bem vindo!!

Medo destrói...despedaça relações, mina a confiança, esgota...

O medo de perder é um dos mais poderosos...seja perder um ente querido, o emprego, o amor da sua vida...

O medo de uma perda acaba sempre trazendo outras ainda maiores e mais graves...

Hoje, vi o medo saltar dos olhos de um casal...arregalado, gritando, urrando e escurecendo tudo ao redor. O jovem de pouco mais de 20 anos chamou a atenção por entrar na academia de calça jeans e camisa social, nervoso e agitado...se posicionou ao lado da mocinha que caminhava na esteira e não devia ter mais que 18...abafada pela música que embalava o ritmo dos exercícios, a conversa ácida, ríspida e violenta durou alguns minutos...eu, constrangida ao lado deles, ouvi parte dos desaforos que o rapaz despejou sobre a namorada. Acusações de mentir para ele só para poder freqüentar a academia, cheia de “homens sarados”...

Benza Deus...que se fosse mais madura aquela moça mandava ele ir plantar batatas do avesso...

E a imagem do jovem homem era apenas medo puro, cristalizado nos olhos, de perder a amada...inseguro, auto-estima zero...uma lástima...

Ela, puro medo do que iam pensar, do vexame ou do juízo errôneo que seu príncipe-sapo fazia dela ali, no meio de tantos desconhecidos...quanto medo, quanto medo...quantos erros!!!

O fiasco se arrastou por mais uns minutos até que o “medroso” foi tirar satisfação com o instrutor saradão, fonte de todos os seus temores: a montanha de músculos bem definidos que deve povoar os piores pesadelos do pobre moço. Pobre criança desamparada e que a partir daquele momento, deve ter perdido de vez o respeito e a admiração da bela menina, agora com o olhar perdido no vazio, entre as lágrimas que uma colega enxugava...

Fui para casa pensando na banalidade daquela cena...em quantas vezes quantos de nós somos protagonistas em dramalhões idênticos...uns com finais ainda mais dramáticos, mas todos com saldo negativo...

Quantas incontáveis vezes o medo de fracassar nos impede de tentar, o medo de errar evita os acertos, o medo de perder nos priva de entrar na disputa, o medo do fim impede lindos começos!!

Já parou para pensar???

 

Cabe a você dar vazão ao tipo de medo que pode ser útil em sua vida:o que destrói ou o que protege!!!

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