21/10/2008

O INFERNO SÃO OS OUTROS?

Sábado foi dia de ir ao teatro!

Como é bom ter tempo novamente para programas assim, junto aos amigos...O nome do espetáculo me atraiu, antes de mais nada...e é sugestivo num momento como esse: “Não sou feliz, mas tenho marido”...faz no mínimo parar para pensar...

Zezé Polessa, impagável no palco, interpreta Viviana, uma escritora em noite de autógrafos  que durante uma coletiva fala à imprensa sobre os seus 27 anos de casamento...quase três décadas de dedicação absoluta ao marido e dois filhos e anulação dos projetos pessoais.

Mas segundo a própria autora, era isso o que ela queria – estar casada!

Fora criada para ser mãe e esposa, embora cada dia trouxesse junto muita frustração por abandonar  o sonho de ser também escritora...Lutou até o fim para manter-se como a dona-de-casa perfeita...até ser trocada por uma mulher mais jovem.

O casamento não resistira às frustrações que ela estampava no rosto. E foi quando a autora renasceu para a vida...

Penso que hoje uma mulher não esperaria 27 anos para desistir de um relacionamento falido. Essa obstinação tem muito mais a ver com o tempo de nossas mães e um período onde admitir uma separação seria admitir um fracasso pessoal sem precedentes...

Claro que ainda corremos o risco de sermos “Vivianas”se não abrirmos os olhos...

Casamentos podem e devem ser bons, sem que uma das partes se anule. Mas basta esquecer essa regrinha para o "caldo desandar". 

Admito que imaginei um monólogo onde a protagonista se esbaldaria em críticas e ataques ao sexo oposto (sim, existiram uma boooas alfinetadas de arrancar gargalhadas ) mas me surpreendi diante de uma narrativa que traz para nós a responsabilidade de sermos felizes.

É fácil ( e quase inevitável ) darmos ao “outro” o poder de nos fazer felizes  - ou miseráveis...ou pior, depositar sobre o outro esta carga e, simplesmente, culpá-lo pelas nossas mazelas. Seja no emprego, em família e, sobretudo, em nossas relações amorosas...

Aqui, discordo de Sartre quando dizia que “o inferno são os outros”.

Nós somos nossos próprios algozes. Sempre que nos aprisionamos em situações desconfortáveis. Passei meses em um emprego que não me trazia mais satisfações, prazeres...e o que fazia? Era mais fácil culpar colegas e chefes pela situação quase insustentável, no lugar de arregaçar as mangas e procurar coisa melhor...Me tornei refém em uma prisão que eu mesma criei...

O desfecho foi uma demissão. De início me senti injustiçada, até perceber que na verdade eu havia me libertado...respirava aliviada...

Poderia não ter sido assim, poderia estar lá até hoje, sofrendo, me intoxicando emocionalmente, presa sem necessidade a algo que não me satisfazia mais...

Tive a sorte de ser demitida...Aprendi que um fim está mais perto de ‘recomeços’ do que podemos imaginar.

Serviu de lição e a partir de então entendi que ninguém,  além de nós mesmos, pode ser o senhor do próprio destino.

 

Mas falar é fácil...

14:33 Écrit par Observatoire a dans Général | Lien permanent | Commentaires (3) |  Facebook |

Commentaires

Sabe que eu já passei por uma demissão que também me livrou de uma situação de desgaste? Sim, nós somos os responsáveis por nossa vida, por nosso destino, por nossas escolhas. Ninguém mais.
Ah, será que lemnras de mim? Eu tinha um blog no Uol - Et cetera.
Beijo

Écrit par : Alline | 21/10/2008

Gostei Gostei muito do que li aqui. Gostei dessa perspectiva de recomeço, gostei dessa esperança semeada. A vida é assim mesmo, surpreendente em nos fazer renascer!
bjim

Écrit par : Nilce | 22/10/2008

Adorei seu texto. Mesmo!!!
Beijossssssssssssssss

Écrit par : Patricia | 31/10/2008

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