09/11/2005

 "NENHUMA PÁTRIA ME PARIU"

J'ai ainsi découvert, en ces jours et ces nuits, qu'en toute chose, l'envers vaut l'endroit, le caché l'apparent; et qu'on a besoin de celui qui est d'une autre langue et d'une autre foi pour découvrir l'autre côté de la réalité, l'autre nom des choses - pour en savoir davantage sur notre condition d'hommes et pour mettre à jour cet arrière-pays de nous mêmes qu'on ne peut déchiffrer que par ce détour. C'est la differérence qui nous enseigne et nous agrandit. Non la simple similitude"...

"Eu assim descobri, nestes dias e nestas noites, que em todas as coisas, o avesso equivale ao direito, o escondido equivale ao aparente; e que nós precisamos daquele que fala outra língua e possui uma outra fé para descobrir o outro lado da realidade, o outro nome das coisas - para saber, sobretudo, a respeito na nossa própria condição humana e para trazer à luz do dia este mundo escondido existente dentro de nós mesmos, o qual nós não poderíamos decifrar se não por este caminho. É a diferença que nos ensina e nos faz crescer. Não a simples semelhança"... 
 Jean Pélégri ("Ma mère, l'Algérie)...

Pour uma grande coincidência estou relendo o livro deste francês de origem magrebina, que ganhei de um grande amigo que fiz na Bélgica, um argelino que como muitos deixou seu pais natal e foi tentar a sorte na Europa....Europa que sempre os viu com olhos ressabiados,...abriu para eles suas portas quando conveniente foi e depois, os varreu para debaixo do tapete, como poeira cósmica...digo que foi coincidência estar relendo agora o livro, pois acompanhando o que se passa em Paris e em várias localidades da França, é como se estivesse vendo pela televisão o que li neste livro...o que vários escritores, historiadores, especialistas já disseram, escreveram...a bomba relógio que é a grande camada de imigrantes e filhos de imigrantes, que por direito, nascidos em solo francês, deveriam ser considerados como tal, mas serão sempre vistos como "párias"...com bem afirmou os sarcástico ministro Nicolas Sarkozy...
Mas é bom lembrar que Sarkozy já está de olho nas próximas eleições e deixa claro que vai apostar na mesma receita que levou Jean-Marie Le Pen ao segundo turno das presidenciais em 2002 e colocou a extrema direita racista a poucos passos do poder...Sarkozy aposta na insegurança e prefere investir em repressão a políticas sociais...pois é claro, sabe bem  o que lhe renderá mais votos...
Quem lê este blog está cansado de me "ouvir" falar sobre assuntos semelhantes, mesmo porque passei os últimos três anos mergulhada em livros que tratam do tema e estou vendo se repetir o que há pelo menos 3 décadas ocorre de maneira cíclica: os excluídos tentando se fazer ouvir por caminhos tortuosos...queimando carros, destruindo bens públicos (aos quais eles não tem acesso ou "profite")...atitudes condenáveis? Sim, claro...mas é preciso ver o que elas escondem...entender o que significam e aonde querem levar...
Estes jovens, filhos de imigrantes, nasceram naquele país, mas são tratados como eternos "invasores", que vieram para "roubar" os empregos dos "dignos franceses autênticos"...quanta conversa fiada...são sempre eles os últimos nas filas de emprego...são sempre eles os ocupantes das vagas de "subempregos" que ninguém mais quer ocupar...são eles os empurrados aos becos e submundo imundo das periferias que não recebem investimentos ou benefícios de infra-estrutura...mas também são eles que ajudam a economia a avançar...mas continuam na condição de discriminados, vítimas de preconceito por causa da cor da pele, religião ou nível social...
Isto é característica única em países europeus? Não...o mesmo ocorre aqui no Brasil, com  os "nossos migrantes" saídos dos estados do nordeste, por exemplo...os tão "repelidos paraíbas", como a dita elite dos estados do sudeste adora afirmar em alto e bom tom...eles que enfrentam realidade parecida, como se as riquezas de um país da envergadura do Brasil não fosse também deles por direito...não fossem eles cidadãos brasileiros...os carros queimados em Paris e na França, são as "guerras" e motins em nossos morros, favelas e periferias...resquício do egoísmo que corrói, da falta de solidariedade que mata, da completa ausência de políticas públicas eficientes e capazes de garantir a todos os direitos de cidadania...abrindo margem a todo tipo de violência, gratuita ou não...



21:03 Écrit par Observatoire a | Lien permanent | Commentaires (2) |  Facebook |

Commentaires

Verdade!! Infelizmente esta tal bomba relogio previsivel ate que demorou pra ser detonada,Monica. Não creio que demore muito para o mesmo acontecer por aqui.
Bjos!

Écrit par : DO | 10/11/2005

Gostei desse post :) Essa questão é mesmo dura de ser enfrentada. O pior é que o caminho que os franceses estão escolhendo só vai piorar ainda mais a situação. Se os filhos de imigrantes fazem isso pq se sentem excluídos, e os franceses querem eleger quem apóia essa exclusão...tudo tende só a piorar. Esse trecho do livro é bem interessante...a diferença é que nos faz crescer, não a semelhança...é verdade. E parece que são poucos os que compreendem isso.

Écrit par : Priscila | 11/11/2005

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